Equívocos da Magia

22/04/2009 at 5:17 PM (Religiões) (, , , , , , )

 
Uma coisa temos que deixar claro, senão de nada vai adiantar eu escrever todas essas coisas. Bruxas não são velhas e gordas nem tem verruga no nariz. Não utilizam olhos de morcegos em suas poções, muito menos sacrificam bebês em tábuas repletas de inscrições antigas. São pessoas normais, como você, eu, seu chefe ou o estranho que senta ao seu lado no ônibus.

Ressurgindo na década de 50 pelas mãos de Gerald Gardner, a Wicca trouxe em seus ensinamentos o amor à natureza e a dualidade do ser humano. O respeito ao próximo também encontra-se presente, assim como o fato de que tudo o que é feito, para o bem ou para o mal, retorna triplicado a nós nessa vida. Não faz sentido, portanto, você desejar o mal a alguém. Inocente demais? Nem de longe.

Com base nos ensinamentos celtas, a Lei Tríplice garante que quando alguém desrespeita essa regra, desejando ou fazendo o mal a alguém, sofre. A Lei não retorna exatamente a nós, ela prejudica a quem amamos. Se a conta viesse em nosso nome, não teria problema, mas perdemos o chão quando o que amamos é prejudicado. Sim, a Wicca pode ser usada para o mal, mas até aí o Cristianismo também pode! Quando supostos cristãos lembram-se de ir à Igreja, pode ser tanto para pedir o bem do outro, como para pedir o mal. Tudo é energia e ela pode ser manipulada. Não é a religião que determina o modo de agir de uma pessoa, e sim sua conduta pessoal. Isso é o que faz a diferença. Costumo dizer que a magia não é boa nem má, apenas é. A pessoa que a utiliza é quem determina seu destino. Como uma faca. É só uma faca até ser enfiada em alguém, e vira prova do crime.

Um aspecto a ser abordado é o conceito de opostos. Bem e mal existem sim, mas não separadamente. Acredita-se que a própria divindade equilibre bem e mal dentro de si. Podemos analisar os deuses gregos. Ares é o deus da guerra, mas ele também cai de amores por Afrodite. E o que dizer da mortal Semele, seduzida por Zeus, que concebeu Dioniso – que aliás foi expulso do Olimpo por ser coxo!? O conceito de uma divindade boa e outra má é difícil de se aceitar na Bruxaria.

É como uma pessoa que se diz puramente boa. Não acredite. Ou é maluco ou é mentiroso. E aí estão dois bons motivos para separar de vez Bruxaria de Satanismo.

Guerreiro ajoelhado. Anexo: Angeles Arriele, O Ca-minho Quádruplo (São Paulo: Ágora, 1997. p 29.)

Guerreiro ajoelhado. Anexo: Angeles Arriele, O Caminho Quádruplo
(São Paulo: Ágora, 1997. p 29.)

Outra questão óbvia é sobre os satanistas. Para começo de conversa, se você falar de Satã perto de um bruxo, é provável que ele nem se abale. Bruxos não crêem em Satã. Não que o desconsiderem, apenas não acreditam nele. O motivo mais claro é porque ele foi inventado pela Igreja no intuito de desmoralizar o paganismo e atrair mais fiéis para a nova religião. O Diabo usava fraldas enquanto milhares de gerações já haviam celebrado os ciclos da natureza em torno das fogueiras. De fato, sendo a primeira religião do mundo, o paganismo tinha em sua base muito conhecimento de diversas áreas, e festivais próprios, que foram copiados – praticamente por completo, pelo cristianismo. Posso citar aqui, qualquer hora, a história completa do Natal, na verdade o festival pagão de Yule.

Havendo qualquer dúvida a respeito da religião, sugiro alguns autores de respeito que poderão passar informações mais preciosas do que qualquer coisa encontrada na internet. Eu sei, aqui estou eu utilizando a internet como suporte, mas acredite, nem se eu escrevesse detalhe por detalhe, poderia substituir a maravilhosa leitura que estes iluminados oferecem:

- Claudiney Prieto é um escritor wiccaniano brasileiro. Foi iniciado na Wicca há mais de 10 anos. É um dos pioneiros na divulgação da Wicca no Brasil sendo autor de diversos livros entre os quais Wicca – A Religião da Deusa, um verdadeiro compêndio sobre Wicca. É o Ancião e fundador da Tradição Diânica Nemorensis.

- Raymond Buckland nasceu em Londres em 1934. Foi iniciado por Gerald Gardner em meados de 1960. Treze anos depois fundou a Seax-Wicca, uma das primeiras tradições precursoras dos bruxos solitários e auto-iniciados, o que a tornou um caminho bastante popular. Escreveu O Livro Completo de Bruxaria de Buckland, que tornou-se praticamente um manual para bruxos que optaram pelo caminho solitário.

- Scott Cuningham nasceu em Royal Oak, Michigan, em 27 de junho de 1956. Morou em San Diego desde 1961, onde começou a se interessar por assuntos relacionados à Bruxaria, iniciando seus estudos através de livros dez anos depois. Publicou o cultuado Guia Essencial da Bruxa Solitária, livro leve em que aborda a magia de forma natural e instintiva.

 

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