Equívocos da Magia
Ressurgindo na década de 50 pelas mãos de Gerald Gardner, a Wicca trouxe em seus ensinamentos o amor à natureza e a dualidade do ser humano. O respeito ao próximo também encontra-se presente, assim como o fato de que tudo o que é feito, para o bem ou para o mal, retorna triplicado a nós nessa vida. Não faz sentido, portanto, você desejar o mal a alguém. Inocente demais? Nem de longe.
Com base nos ensinamentos celtas, a Lei Tríplice garante que quando alguém desrespeita essa regra, desejando ou fazendo o mal a alguém, sofre. A Lei não retorna exatamente a nós, ela prejudica a quem amamos. Se a conta viesse em nosso nome, não teria problema, mas perdemos o chão quando o que amamos é prejudicado. Sim, a Wicca pode ser usada para o mal, mas até aí o Cristianismo também pode! Quando supostos cristãos lembram-se de ir à Igreja, pode ser tanto para pedir o bem do outro, como para pedir o mal. Tudo é energia e ela pode ser manipulada. Não é a religião que determina o modo de agir de uma pessoa, e sim sua conduta pessoal. Isso é o que faz a diferença. Costumo dizer que a magia não é boa nem má, apenas é. A pessoa que a utiliza é quem determina seu destino. Como uma faca. É só uma faca até ser enfiada em alguém, e vira prova do crime.
Um aspecto a ser abordado é o conceito de opostos. Bem e mal existem sim, mas não separadamente. Acredita-se que a própria divindade equilibre bem e mal dentro de si. Podemos analisar os deuses gregos. Ares é o deus da guerra, mas ele também cai de amores por Afrodite. E o que dizer da mortal Semele, seduzida por Zeus, que concebeu Dioniso – que aliás foi expulso do Olimpo por ser coxo!? O conceito de uma divindade boa e outra má é difícil de se aceitar na Bruxaria.
É como uma pessoa que se diz puramente boa. Não acredite. Ou é maluco ou é mentiroso. E aí estão dois bons motivos para separar de vez Bruxaria de Satanismo.

Outra questão óbvia é sobre os satanistas. Para começo de conversa, se você falar de Satã perto de um bruxo, é provável que ele nem se abale. Bruxos não crêem em Satã. Não que o desconsiderem, apenas não acreditam nele. O motivo mais claro é porque ele foi inventado pela Igreja no intuito de desmoralizar o paganismo e atrair mais fiéis para a nova religião. O Diabo usava fraldas enquanto milhares de gerações já haviam celebrado os ciclos da natureza em torno das fogueiras. De fato, sendo a primeira religião do mundo, o paganismo tinha em sua base muito conhecimento de diversas áreas, e festivais próprios, que foram copiados – praticamente por completo, pelo cristianismo. Posso citar aqui, qualquer hora, a história completa do Natal, na verdade o festival pagão de Yule.
Havendo qualquer dúvida a respeito da religião, sugiro alguns autores de respeito que poderão passar informações mais preciosas do que qualquer coisa encontrada na internet. Eu sei, aqui estou eu utilizando a internet como suporte, mas acredite, nem se eu escrevesse detalhe por detalhe, poderia substituir a maravilhosa leitura que estes iluminados oferecem:
- Claudiney Prieto é um escritor wiccaniano brasileiro. Foi iniciado na Wicca há mais de 10 anos. É um dos pioneiros na divulgação da Wicca no Brasil sendo autor de diversos livros entre os quais Wicca – A Religião da Deusa, um verdadeiro compêndio sobre Wicca. É o Ancião e fundador da Tradição Diânica Nemorensis.
- Raymond Buckland nasceu em Londres em 1934. Foi iniciado por Gerald Gardner em meados de 1960. Treze anos depois fundou a Seax-Wicca, uma das primeiras tradições precursoras dos bruxos solitários e auto-iniciados, o que a tornou um caminho bastante popular. Escreveu O Livro Completo de Bruxaria de Buckland, que tornou-se praticamente um manual para bruxos que optaram pelo caminho solitário.
- Scott Cuningham nasceu em Royal Oak, Michigan, em 27 de junho de 1956. Morou em San Diego desde 1961, onde começou a se interessar por assuntos relacionados à Bruxaria, iniciando seus estudos através de livros dez anos depois. Publicou o cultuado Guia Essencial da Bruxa Solitária, livro leve em que aborda a magia de forma natural e instintiva.